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Morreu o lendário Muhammad Ali, aos 74 anos de idade

Morreu na noite de ontem, sexta-feira (3), ex-boxeador e ex-campeão dos pesados, lendário Muhammad Ali, em um hospital em Phoenix, no Arizona, aos 74 anos. Ali foi internado na última quinta-feira por problemas respiratórios e sofria do Mal de Parkinson desde 1984. A informação foi dada por emissoras de televisão americanas.

O ex-campeão deixa a mulher, Lonnie Williams, e nove filhos.

Nascido Cassius Marcellus Clay Junior, Ali ganhou o mundo não apenas com a força de seus punhos, mas também com seus gestos e palavras. Depois de ter um pedido recusado em um restaurante exclusivamente para brancos em uma Louisville de segregação racial, decidiu mudar o rumo da história. Atirou a medalha de ouro olímpica no rio, se recusou a servir na Guerra do Vietnã, se converteu ao islamismo e mudou de nome.

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Ali é homenageado pelo então presidente dos EUA, George W. Bush, em 2005 (Foto: Kevin Lamarque / Arquivo / Reuters)

Começou a praticar boxe aos 12 anos por uma razão muito íntima. Ao ver sua bicicleta roubada disse que espancaria o bandido se o encontrasse. O policial o aconselhou primeiro a aprender a lutar. Foi o que fez, sempre com algum sentimento ruim guardado para ser externado em cima do ringue. Acabou como campeão mundial. Assim foram seus mais de 20 anos de carreira e algumas das lutas mais épicas da história do boxe.

A relação do ex-campeão com os Jogos Olímpicos foi daquelas que só o esporte é capaz de proporcionar. Então com 18 anos, espantou o mundo com sua velocidade e habilidade para vencer o já consagrado lutador polonês Zbigniew Pietrzykowski, em Roma 1960. Décadas após se desfazer da medalha na luta contra o racismo, teve a honra de ascender a pira olímpica em Atlanta 1996, já com as mãos trêmulas devido ao mal de Parkinson, descoberto no início da década de 80.

Ali proporcionou também algumas das tantas “lutas do século” do boxe. Sonny Liston, Joe Frazier, Chuck Wepner, Ken Norton, Leon Spinks e, claro, George Foreman. “The Rumble in the jungle” aconteceu no Zaire e foi brilhantemente retratada por Norman Mailer, no livro “A Luta”. Foram 56 vitórias, cinco derrotas em pouco mais de 20 anos de carreira.

Nos últimos anos, suas aparições públicas se tornaram cada vez mais raras. Internado inúmeras vezes com problemas respiratórios, esteve entre a vida e a morte em diversos momentos. Em janeiro de 2015, teve uma grave infecção urinária e a partir daí, seu quadro clínico nunca mais foi o mesmo até o gongo final.

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