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Nini Satar fala da Justiça Moçambicana

Depois de uma certa calmaria, o empresário moçambicano, Nini Satar voltou a carga. Dessa vez Nini resolveu falar da Justiça nacional.

Confira a seguir, o que o empresário moçambicano pensa sobre a Justiça moçambicana…

“Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.” (Che Guevara)

Dúvidas não hajam de que em Moçambique, 99 por cento das pessoas queixa-se da justiça por ser moribunda e sem nenhuma credibilidade. Pessoas há também que se lamentam depois do “burro morto”, como diz um antigo adágio popular. Diferentemente dessas pessoas, hoje, eu, Nini Satar, quero contar algumas histórias vividas num passado recente neste nosso belo Moçambique.

Antes de tudo, vos queria dizer que reza a parábola que as estórias do “burro morto” são contadas depois deste perecer. No caso em apreço, esses “burros” estão vivos. Por isso as suas histórias devem ser contadas urgentemente para que sejam saboreadas por todos. Em ocasiões anteriores, talvez em jeito de gracejo, disse-vos que eu, Nini Satar, tenho três testículos.

Os três testículos que tenho foram desígnio do Criador. E faço uso deles para não amolecer diante de qualquer que seja a injustiça. É por isso que levanto a voz e falo dessas histórias horrorosas que ensombram o nosso belo Moçambique.

São histórias reais, mas envoltos em tristeza, horror e que mexem com a sensibilidade de qualquer pessoa sensata. Contar-vos-ei essas histórias ao longo das próximas quatro semanas, sempre publicadas às terças-feiras, aqui na minha página do facebook.

Desengane-se quem julgar que são invenções. As histórias são verdadeiras e alguns dos seus protagonistas ainda estão vivos. Protagonizaram actos com requinte de certa crueldade que até o diabo, se é que existe, deve estar com fúria deles.

Como prémio pela sua crueldade, esses indivíduos são hoje juízes-conselheiros do Tribunal Supremo. E mais: são juízes jubilados. Autoproclamam-se de profetas e de santos que não quebram um único prato.

Julgo que até os leigos devem saber que um juiz jubilado é aquele que é venerado pela sua inabalável entrega à verdade. Poder-se-ia comparar a Cristo ou Profeta Maomé.

Esses juízes têm nomes. Temos o Luís António Mondlane, José Norberto Carrilho e Carlos Trindade. São estes que se dizem representar Deus na terra, até equiparam-se a Jesus Cristo. Segundo eles, estão na terra para fazer a verdadeira justiça.

Dizem, estes senhores, que quando pegam um processo, Deus é que lhes ilumina para fazerem justiça. Eventualmente, este mesmo texto, como tem sido apanágio, poderá ser publicado por algum jornal. Na possibilidade disso acontecer, peço, desde já, a minha gratidão por publicar o que escrevo. É bom quando sabemos que somos lidos.

Verdade seja dita: tudo o que eu escrevo, tenho como provar. Não escrevo mentiras. Os três senhores acima mencionadas, provavelmente são as piores pessoas que existem na face da terra. São os verdadeiros tiranos e maiores assassinos que existem. Já disse um filósofo renomado que o maior assassino é aquele que usa a caneta.

Luís António Mondlane, José Norberto Carrilho e Carlos Trindade já desgraçaram inúmeras famílias, destroçaram vidas humanas. Hoje andam de terno e gravata, de Mercedes de último modelo, vivem em mansões sumptuosas na Sommerschield. Têm tudo pago, até os seus serviçais e babás para os seus netos. Mas quem paga tudo isto? Somos nós, o povo. Tu e eu, os injustiçados, é que pagamos as contas desses tiranos. São os nossos impostos que enchem de mordomias a estes parasitas.

Reparem para a legenda na foto um. Aparece o José Norberto Carrilho abraçado ao seu amigo Carlos Trindade e desejando-lhe “longa vida, querido amigo, camarada de causas justas, homem íntegro e exemplar…”

Quando José Norberto Carrilho deseja longa vida ao seu amigo Carlos Trindade, tem razão. Ambos têm de viver muito para se rirem da desgraça que causaram ao pobre povo moçambicano. Estes senhores, em nome da sua crueldade, espezinharam os nossos concidadãos. Humilharam os mais desfavorecidos. E ao fim do dia refastelavam-se de caviar, vinhos importados, quando o grosso do povo vivia das crostas das suas próprias feridas. Que homens de causas justas são esses?

Quantas sentenças foram por eles exaradas só para humilhar, chamboquear pessoas inocentes que só vendiam o pouco que havia para a sua sobrevivência? São pessoas humildes que eram chamboqueadas só porque vendiam uma barra de sabão, dois bolos, rebuçados (os rebuçados até metiam-se no chá porque não havia açúcar).

Em nomes dessas parcas vendas, pessoas eram condenadas por Luís António Mondlane, José Norberto Carrilho e Carlos Trindade a penas de oito meses de prisão e 30 chambocos. 15 chambocos em cada nádega.

A foto dois, é de um cidadão moçambicano, um jovem que na altura tinha 19 anos, de nome Mário Muquelele. De certeza que o Trindade deve ainda se recordar desse jovem. Se não for o caso, eu, Nini Satar, tenho a sentença e posso, muito bem, dá-la a Trindade para refrescar-lhe a memória.

Mário Muquelele, nessa altura, tinha a mãe doente e ele era o único que podia fazer alguma coisa para a sobrevivência da família. Num dia desses, foi à bicha pelas 5 horas da manhã. Só viria a ser atendido às 8 horas. Comprou dez bolos e cada um custava dois meticais. Decidiu pô-los à venda por três meticais para ganhar qualquer coisa. O jovem teve azar. Foi preso pela polícia municipal, depois de ter sido espancado brutalmente.

O seu processo foi até Carlos Trindade. Sabem qual foi a sentença? Oito meses de prisão complementados por seis chicotadas. E o crime pelo qual respondia era de exploração, vulgo candonga. Foi levado à praça pública para ser chamboqueado sob olhar popular. Acham que este juiz se esqueceu disso?

Como é que uma pessoa assim pode ser considerada “homem de causas justas?” Na minha modesta opinião, homens como este, deviam ser queimados em público. Com pneu e gasolina.

Ao longo do que vou postar no futuro, vou vos falar de Luís Mondlane e do seu mediático julgamento contra Gulamo Nabi, um pobre comerciante de origem asiática que foi preso por ter sido encontrado com algumas caixas de camarão que vendia para a sua sobrevivência. O tal camarão, foi encontrado numa carrinha que estava a ser conduzida por um seu motorista, de nome Chitara.

Gulamo Nabi levava o camarão para a África do Sul e de lá trazia vídeos- cassete e televisores para vender em Maputo. Era tudo para a sobrevivência. Pessoas houve que importavam camarão, em grandes quantidades, ilegalmente. São pessoas graúdas ligadas à própria nomenklatura política. Gulamo Nabi não chegava aos pés desses. Condenaram-lhe à morte para escamotear a verdade. Sabiam quem realmente fazia o tráfico do camarão. Gulamo Nabi foi bode expiatório, tal como eu fui no processo Carlos Cardoso.

Gulamo Nabi foi fuzilado na lixeira de Hulene, na presença de multidões que foram convocadas para o local para assistir àquela sandice, à crueldade protagonizada por algumas pessoas que hoje continuam entre nós e se dizem santas.

José Norberto Carrilho esteve na dianteira do fechamento, pelo regime, da Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane. A única existente naquela altura. Advogados eram poucos. Contavam-se com o dedo. E ele jubilou com o facto, porque não queria que mais ninguém estudasse Direito como ele. Mas isto fica para as próximas narrativas.

Retomando o “Caso Carlos Cardoso”, tenho de vos dizer que o Código do Processo Penal abre espaço para recursos. Eu fui julgado e condenado pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, onde o juiz foi Augusto Paulino. Porque não concordava da sentença, recorri ao Tribunal Supremo. Por azar o meu recurso foi cair nas mãos de Luís António Mondlane, José Norberto Carrilho e Carlos Trindade. Nas próximas narrativas farei menção também ao papel destes três juizes, no processo Carlos Cardoso. Foi uma coisa medonha. Mas fica, como disse antes, para a próxima ocasião.

Nini Satar

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