POLÍTICA

Carta aberta de Nini Satar ao presidente Filipe Nyusi parte 10

O empresário moçambicano Momade Assife Abdul Satar, popularmente conhecido por Nini Satar voltou a escrever para o Presidente da República, Filipe Nyusi.

Nini voltou a falar da situação que a nossa pérola do “Atum” atravessa, e fez a questão de mandar algumas recomendações.

Confira abaixo, a Décima carta do empresário moçambicano endereçada ao chefe do Estado Moçambicano.

“Carta aberta ao Presidente Filipe Nyusi (10)

Senhor Presidente, esta é a décima vez que lhe escrevo. Encorajou-me o facto de ter tomado conhecimento de que o Presidente lê as minhas cartas. É um bom sinal. Soube ainda que o senhor todos os dias preocupa-se em saber o que o Nini publica na sua página de Facebook, apesar de um irónico “qual é o ataque de Nini hoje?”, quando se dirige aos seus assessores.

Presidente: eu, Nini Satar, nunca ataquei ninguém e jamais tive a pretensão de ferir quaisquer susceptibilidades. As minhas opiniões são fruto do que colho no dia-a-dia da vida sofrida da maioria dos moçambicanos, meus compatriotas.

Qualquer pessoas que seja contra o que escrevo, aconselho a tomar uma panaceia.

Pois bem: o que me leva a escrever hoje, é a situação política do país. Moçambique está de rastos. Esta guerra já está a ir longe demais. Está a causar estragos irreparáveis. O que custa acabar com esta guerra, Presidente?

O senhor Filipe Jacinto Nyusi é Presidente da República de Moçambique. É Presidente de todos os moçambicanos. É o alto magistrado da nação. Tem o privilégio de demitir e nomear quem quiser. Essa ladainha de que quem manda em si é o controverso General Chipande, para mim, é conversa de café e por isso não vou comentar. O senhor pode, sim, devolver a estabilidade a este país.

O saudoso Presidente Samora Machel, homem de carácter único, íntegro, rigoroso e que, sobretudo amava incondicionalmente Moçambique e os moçambicanos, a seu pedido, negociou a paz com a Renamo em 1984. Jacinto Veloso, esse mesmo senhor que hoje chefia a delegação do Governo no diálogo político, sabe muito bem do que estou a falar.

Samora só não foi longe com a sua pretensão de restabelecer a paz em Moçambique, porque acabou morrendo num acidente ainda envolto em penumbra. Seguiu-se-lhe o Presidente Chissano. Claro, este pode ter falhado em alguns aspectos, mas trouxe a almejada paz. Por isso que até aqui o seu nome é bem recordado pela maioria dos moçambicanos.

Com Armando Guebuza a situação da exclusão, a todos os níveis, aumentou. A Renamo sentiu-se marginalizada. A guerra voltou ao país e o senhor, Presidente Nyusi, herdou desta desordem e me parece não estar em condições de reverter o cenário. O que custa acabar com a guerra, Presidente Nyusi?

O Presidente tem ideia de quantos moçambicanos sofrem devido à guerra? Sabe quantas instâncias turísticas fecharam? Quantos investidores receiam em colocar o seu dinheiro em Moçambique? Moçambique até já virou chacota mundial. Se aparece na imprensa internacional, é para se falar de dívidas ocultas, guerra, pobreza, exclusão social. Tudo de mal é como se acontecesse em Moçambique.

Nestas condições, Presidente, quem vai investir em Moçambique? Nestas condições, Presidente, acha que eu, um patriota que ama o seu país, me devia calar? Não lhe devia escrever? Eu cobro de si explicações porque o senhor é o Presidente eleito. É a única pessoa que tem autoridade para devolver Moçambique aos carris. O que lhe custa, Presidente? Quem lucra com a guerra?

Custa-me muito ver o meu país a agonizar de tanto mal. Que culpa têm os moçambicanos? Não podem viver em paz? Ora são as dívidas ocultas, ora é a economia nacional que está de rastos. Hoje temos a situação do Moza Banco…faliu. O que se seguirá amanhã?

O custo de vida, em Moçambique, está uma lástima. Tudo subiu: combustíveis, produtos da primeira necessidade, mas o salário continua uma miséria. O mais grave ainda é que aquele que vivia da sua machamba já não pode cultivar por causa da guerra. Onde é que vai parar este país?

Será que vocês os políticos estão interessados que esta guerra acabe? O nome deste país foi jogado na lama. Ora são os ministros do seu Governo que são vilipendiados nos jornais por estarem endividados até ao pescoço. Que servidor público é esse? Será esse ministro um bom exemplo? As avultadas dívidas que um dos seus ministros tem, foram despoletadas pela imprensa portuguesa. Ele demitiu-se? Não. Esta ai como se nada tivesse acontecido. Que exemplo!!!!!!

Tudo o que acontece no seu Governo cai na boca do povo. Até o cobrador do “chapa” insulta o Governo como melhor lhe aprouver. Será este um país sério? País em que os ministérios começam a ter dificuldades em pagar salários aos funcionários públicos. País em que a Polícia que devia defender o cidadão, rouba-lhe. Extorque. Usa artimanhas para sobreviver. E o Presidente, sempre sereno, a dizer que na sua cabeça só existe a palavra paz, paz e paz. De que paz o Presidente fala?

Eu, talvez não seja único, começo a duvidar de que o diálogo em curso vá dar em algo. É que a Renamo finca o pé: quer as seis províncias. E o Governo não as quer dar. O que mais existe neste diálogo é um braço de ferro. Também não vejo como é que iriam funcionar os governadores dessas seis províncias, já que Dhlakama tem dito que vão governar com o programa da Renamo. Essas seis províncias serão independentes do resto do país? Não se vão subordinar ao Governo central? Isto tudo é para arrastar o tempo.

Das negociações de 1984 que Samora iniciou, um dos pontos falava em parar com a guerra e negociar. Mas, estranhamente, o diálogo em curso, vai se arrastando enquanto o povo morre com a guerra. As negociações decorrem em simultâneo com a guerra. Ora, são os mediadores internacionais a pedirem pausa, enquanto isso a guerra vai matando. Será que não há como parar com a guerra? Recordo-me que Dhlakama disse que as Forças de Defesa e Segurança estacionadas no cinturão da serra da Gorongosa deviam ser afastadas para a cessação da hostilidades. O Governo rejeitou. A guerra continua. Afinal, estão a negociar o quê?

Peço-lhe, Presidente, para que faça de tudo para devolver a paz a este povo. Estou a pedir demais? Acho que estou a pedir o justo. Quero ver os meus compatriotas a viajarem do Rovuma ao Maputo sem medo de emboscadas, sem colunas. Quero ver o brilho do sorriso das crianças que hoje deixaram de ir à escola por causa da guerra. Quero ver o vendedor da esquina a montar a sua banca em qualquer parte deste vasto país sem temer nada. Quero o retorno às machambas. Quero a fartura dos ananases de Muxúngue, dos mariscos de Cabo Delgado, dos feijões de Niassa, das saborosas tangerinas de Inhambane, um dia cantadas por José Craveirinha. É pedir demais, Presidente?”.

Fonte: Nini Satar

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20 Comentários

  1. Muito obrigado nini satar, esperamos que finalmente o nosso presidente tenha recebido o recado e faca tudo o que lhe transmitiu, deixar de se guiar pelas elites da FRELIMO porque quem sofre somos nos (o povo), afastar as ideias barbaras do anarquico chipande que nem sabe falar, sempre ofendendo o povo. Muito obrigado mesmo de coracao nini satar.

  2. Young Cassimo disse:

    Palavras sábias,Nini Satar. Acredito muito bem k não estás sozinho nessa. O povo está dentro.Independentemente da sua cor partidária,raça,tribo,região, etc,clama-mossim,por uma paz efectiva. Pedir ainda,à kem de direito pra k o faça o mais rápido possível. O povo (de pé descalço) é o maior prejudicado nesta crise política.

    • pobre moz,matam e disfazem como se fosse mosqito mas somos humanos

    • zainaddin disse:

      Muitissimo obrigado por escrever por todos nos o Moçambique de hoje nao eh o Moçambique de ontem triste eh a razao pela qual nao se tentar travar a guerra e a subida dos produtos como eh k vamos junto lutar para liquidarmos a divida se o proprio presidente nao nos incentiva demonstrando a paz e um sorriso no rosto impossivel isto o povo ta cansado de tanta amargura do seu pais

  3. Força ai mano o país está mal por causa dessa guerra muitas pessoas estão a passar mal

  4. Palavras sabias nini força aí, aonde está a paz que estão falando todos os dia nos queremos a paz basta a guerra sr presidente o nosso país está mal passámos fome guerra o que está conteser

  5. sinceiramente, este belo Mocembique ja foi

  6. Aguinaldo Mahadura disse:

    É verdade o que este compatriota esta a dizer! Qual é o destino deste pais?

  7. abdul buana disse:

    Lamentavelmente esse nosso governo são ratos que sou si escodem no esgoto…e nos ficamos na deriva.forca nini junto nessa luta

  8. Moçambique já era, muitas empresas estão a fechar e os patronatos estão a fugirem, e p país fica sem estabilidade porque já não há emprego, a única coisa que o povo podia fazer era só demitir o presidente porque não sabe nada de governação. Nem o povo para se alimentar não aguenta. Será que onde é que vão terminar com isso?.

  9. jorge paulo disse:

    Nini eu te apoio estou consigo . Nós já não queremos sangue derramado enquanto os causadores estao bem relaxados a comerem do bom e do melhor com os filhos no estrangeiro estudando em melhores universidades sem saber o que é isso de crise que tanto se fala no nosso pais

  10. jorge paulo disse:

    Nini eu estou consigo e pergunto porque o senhor presidente nao se encontra juntamente com o senhor Afonso Dlakama juntamente com suas familias lutarem entre eles e os vencedores governarem o pais ao envez de matarem nossos irmaos como galinhas heim??? Se eu tivesse como enviar uma carta ao senhor presidente e ao senhor Dlakama eu juro que poderia propor um encontro entre eles no estadio da machava com direito a espadas e tudo o que fosse necessario para matarem se enquanto a populacao assistisse…. Senhor Nini se podesse anexar esse pequeno trecho na sua 11 carta ficaria muito grato…. Vamos lutar em prol da paz

  11. muito obrigado pelas palavras sabias continuem abrir visao para os que acham que tem visao demais que outris

  12. damiao disse:

    O Sr tirou as palavras da minha boca…

  13. valdemiro disse:

    Essas sao palavras sabias so poem em pratica quem e realmente honesto com o povo.
    Queremos sim a paz nao a guerra.
    Uma vida que se vai numca mais teremos de volta.mas a paz podemos ter de volta.a paz veem de Deus e ela pode ser devolvida aos homens.a guerra veem dos homens de poder politico por isso o povo, povo meu esta a sofrer.
    Devolvem nos a paz porque a paz e Devina.

    Amen.

    Obrigado nini por palavras sabias

  14. omardine juma disse:

    o meu muitissimo obrigado ao meu senhor nini que esta precupado com povo incluind a mi mesmo. que moçambique já era moçambique, agora é centro de guerra. e eu sera que o nosso presidente quando fala de paz, sabe o que sicnificado da palavra paz?.

  15. Idelcio disse:

    Muito amor pela patria, muito sentimenento numa só carta, adorei, espero que o sr. Presidente tenha tido a oportunidade de ler, pos afinal, é desse tipo de mensagem que ele precisa ouvir…

  16. José João disse:

    Doi me ao espírito e a carne saber que o nosso governo não sente pelo sofrimento do povo moçambicano só interessado no seu status como ilustre. É sangue que está sendo derramado à cada minuto e o governo só diz que a paz será alcançada enquanto parece me ser o alvo inatingível sem esforço por parte do governo

  17. john jossefa disse:

    Ate ate que enfim senhor nini esta ě uma das suas cartas k escreveu coisas logicas compreesssivas, sem escovigimo admiro me o k ta acontecendo com sr? Sera k o contrato k tinha com os seus patronos ja expirou?

  18. Egas Among Matavele disse:

    Moçambique está no péssimo caminho, no meu ponto de vista as negociações só vão ter o seu término nas próximas eleições. Pois não vejo interesse, aliás as negociações poderiam ser transmitidas na rádio e Televisão, pois é de interesse de todos Moçambicanos apesar ser segredo de estado.

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