POLÍTICA

Nini Satar fala sobre a crise económica em Moçambique

O empresário moçambicano Momade Assife Abdul Satar, mais conhecido por Nini Satar, voltou a escrever sobre a crise económica no nosso solo pátrio.

Tal como disse a antiga primeira-ministra de Moçambique, Luisa Diogo, o jovem empresário alertou que dias negros se aproximam, e que os moçambicanos devem se preparar.

“Desde Novembro passado que venho advertindo que o país estava à beira do colapso. Muitas pessoas duvidavam do que escrevia nas minhas análises económicas sobre o nosso país.

Entretanto, reitero que essas análises têm sido feitas, com base em profundos conhecimentos de economia que adquiri ao longo do tempo no ramo empresarial. Ademais, as análises são sustentadas por pesquisas que faço junto a administradores de empresas públicas e privadas em Moçambique e, nalguns casos, em troca de ideias com economistas renomados.

Em Outubro passado, quando o dólar americano estava a entrar na casa dos 40 meticais, algumas destas pessoas (economistas e administradores), apesar de eu lhes ter alertado sobre a iminência do colapso, não acreditaram e pensavam que fosse uma mera convulsão do momento. Só caíram em si em Janeiro deste ano, quando Ernesto Gove, o Governador do Banco de Moçambique, anunciou as medidas de limitação de uso de cartões de crédito e débito no exterior, estabelecendo um tecto de 700 mil meticais.

Foi aí que me deram razão !!! Maleiane quer pular do barco, de fontes idóneas ficamos a saber que Adriano Maleiane, o ministro da Economia e Finanças, já colocou o seu cargo à disposição por cinco vezes. Aquele que é um dos maiores, senão o maior economista do país, ao tomar tal decisão, viu que não pode capitanear este navio, com buracos profundos no casco.

Por força do apelo dos camaradas, ele continua no cargo, a comandar este navio na derradeira fase do colapso total. Aeroportos de Moçambique um caso de estudo Ontem, em conversa com um administrador dos Aeroportos de Moçambique, alertou-me sobre a crise que fustiga aquela empresa de capitais públicos. A mesma companhia se encontra altamente endividada. E são somas que deverão ser pagas em moeda americana, o dólar. Disse me que as receitas da empresa não cobrem metade do que esta deve.

Noutro diapasão, a minha fonte disse que a construção do Aeroporto de Nacala, custou quatro vezes mais do que o Aeroporto de Maputo. Uma autêntica roubalheira!!! Para pagarem salários eles agora entram em pânico.

Últimas O ministro da Economia e Finanças, na última quinta-feira assumiu publicamente que o país esta a atravessar uma crise sem precedentes. Falou de números que, na minha óptica, não são reais. Tudo isso para não deixar o povo moçambicano em alvoroço. Por exemplo:

1- Há escassez de dólar no mercado

2- O Estado não vai conseguir cobrir muitos impostos

3- A importação de produtos caiu

4- A inflação cambial vai disparar mais a dívida pública

5- A economia vai crescer 4.5% este ano e essa é a pior taxa nos últimos 15 anos Maleiane explicou ainda que 2016 vai ser o pior ano para Moçambique, com empresas a fecharem as portas porque o dólar vai fragilizar o metical.

A dívida pública vai atingir a economia cujo crescimento previa-se em 7%… De acordo com as minhas análises e das demais pessoas atentas. estes dados não podem corresponder à realidade económica do país, para não dizer que Maleiane mentiu.

Para mim a economia não vai crescer nem 1% nos próximos três anos. O Governo de que Adriano Maleiane faz parte, quando assumiu na passada quinta-feira parte do que se está a passar, esqueceu de dizer que a crise vai piorar.

Ao anunciar que escassez de moeda e o déficit de transacções vai de 33% para 35%, Maleiane também faltou com a verdade. Nas minhas contas esse déficit vai de 33% para 80%. Isso implica que os produtos de primeira necessidade vão subir.

A previsão do Governo era de 5.6% para 16.7%. Para mim este dado também não bate certo. Em apenas seis meses os produtos de primeira necessidade subiram em cerca de 40%. Tenho a previsão de que até Dezembro vai subir para a casa dos 150%. O Governo já assumiu que os custos vão triplicar. Maleiane avisou que irão cortar 7 biliões no Orçamento do Estado deste ano…cortes esses nos combustíveis, ajudas de custo.

Outros cortes, em 12 biliões, estão previstos na vertente do investimento programado. Nem em 2017 Moçambique poderá ter uma taxa de crescimento de 7% como previsto. É colapso total. Em jeito de conclusão Quando o ministro saiu a público com estas ladainhas, deu-me finalmente razão. Como ficou dito e todos sabem que desde Novembro que tenho alertado sobre o colapso.

Só não entendo como é que Maleiane ainda está a dirigir o barco. Logo ele com uma folha limpa de serviços por onde passou até ir à sua reforma. Carlos Agostinho do Rosário, o nosso primeiro-ministro, também tem uma folha de serviços imaculada por onde passou. Estes dois capitães estão na eminência de serem considerados como péssimos gestores devido a este colapso.

A credibilidade recupera-se quando ainda há confiança. Um cliente quando tem dívidas num certo banco e, quando têm dificuldade de pagar ele chega ao banco e pede uma reprogramação da dívida. Desde que cumpra, recupera a sua credibilidade.

O problema é que a credibilidade de Moçambique está gravemente beliscada. O Fundo Monetário Internacional (FMI), o Bando Mundial (BM), os doadores e parceiros do apoio programático estão ofendidos com a “dívida escondida”.

Jornais das grandes capitais mundiais, fazem manchetes dessa dívida de DOIS BILIÕES DE DÓLARES tendo-nos como burlões, devido à criação da EMATUM, MAM e PROINDICUS . Um valor IRRISÓRIO para um Governo. Dois biliões de dólares qualquer Estado “competente”pode, e muito bem, gerir para que não se note o rombo.

As manobras dilatórias do Governo de Filipe Nyusi em assumir a dívida é que descontrolaram tudo. Repito: dois biliões de dólares é um valor IRRISÓRIO para um Estado competente. Os próximos dias serão amargos para os moçambicanos. Os bancos comerciais estão a vender mais caro os seus dólares do que o mercado negro. Incrível. Deveria ser o contrário, mas tudo isso é porque há escassez do metical. Não é só o dólar que escasseia.

Todo o comerciante esta a retirar os seus meticais dos bancos e compra dólares que guarda debaixo do colchão. Isso faz com que haja falta de toda moeda. Quando o dólar chegar aos 100 meticais Moçambique será um dos piores países de África. Tudo aqui é importado na ordem dos 99%. Não vamos falar de abóbora e mapira. Até tomate e cebola são importados. Como se diz na gíria popular, para bom entendedor, meia palavra basta”, escreveu Nini Satar na sua conta pessoal do Facebook. 

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1 Comentário

  1. jasse disse:

    o cristiano ronaldo merece este reconhecimento

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