POLÍTICA

Carta aberta de Nini Satar ao presidente Filipe Nyusi parte 7

A pós uma ligeira paragem, o empresário moçambicano Nini Satar voltou a escrever uma carta para o presidente da República, Filipe Nyusi.

Dessa vez, Nini falou sobre a crise política e militar que está assolando o país desde a divulgação dos resultados das últimas eleições. O empresário moçambicano sugeriu que o presidente da República arranjasse maneiras para conversar com o líder do maior partido da oposição no país, Afonso Dhlakama, com vista a colocar um fim na crise política e militar no país.

Confira a seguir a sétima carta de Momade Assife Abdul Satar, endereçada ao presidente da República.

Carta aberta ao Presidente Filipe Nyusi (7)

Senhor Presidente: fazendo uso da prerrogativa constitucional do direito à opinião, consagrada na liberdade de expressão da Constituição da República que o senhor jurou fazer cumprir na Praça da Independência , naquele dia de tomada de posse, hoje escreve-lhe pela sétima vez.

Como cidadão nacional continuo preocupado com o rumo que o país está a tomar e por isso, aqui estou uma vez mais para partilhar consigo o que me vai na alma. A situação da dívida pública que faz manchetes na imprensa por todo o lado, requer muita calma e ponderação, senhor Presidente.

Uma dívida de 11 mil milhões de dólares não pode constituir alarido para um país. Vários outros países, como Portugal, por exemplo, tem dívidas mais avolumadas mas as economias não estão em agonia.

A minha consciência me diz que- por experiência empresarial acumulada ao longo da vida- 11 mil milhões de dólares se podem pagar em tempo recorde. Moçambique é um país vasto que tem muita riqueza ainda por explorar. Riqueza essa de um valor imensurável. E a maior riqueza de Moçambique é o seu povo que é humilde.

Senhor Presidente,

A questão da dívida requer calma e técnicos capazes de a administrarem a coisa pública a bem dos seus cidadãos.

Estou em crer que em algum momento as minhas anteriores missivas lhe terão chegado às mãos ou pelo menos ao seu conhecimento. Desde Novembro passado que de tempos em tempos venho alertando sobre o colapso financeiro que agora já é uma realidade de que não se pode fugir.

Provavelmente o senhor Presidente, por via dessa dívida, deve não dormir. Todos os dias recebemos surpresas de que os nossos habituais parceiros estão a cortar financiamento. Primeiro foi o FMI e o Banco Mundial. Seguiu-se o G-14, os Estados Unidos e o Canadá. Isto, senhor Presidente, é muito grave!!!

Aprendi desde cedo que para criar um nome leva anos, mas para descredibilizá-lo é questão de segundos. A imprensa mundial só fala da desfavorável situação económica de Moçambique e da tensão político-militar que efectivamente afugenta qualquer investidor. Isto é grave, senhor Presidente!!!

Senhor Presidente: enquanto a paz não se construir em Moçambique, nenhum investidor ou doador colocará aqui o seu dinheiro. Até o mais reles, falo de um empresário que sonhe ter uma moageira em Manica ou Moeda.

Nas minhas cartas anteriores, já havia pedido ao senhor Presidente para dialogar incondicionalmente com o líder da Renamo, o senhor Afonso Dhlakama. Ao fazê-lo, o senhor estará a escrever a sua própria história na liderança deste país e, claro, terá todo o apoio e aplausos de mais de 24 milhões de moçambicanos que almejam pela mesma paz.

Presidente, não devo estar de todo enganado ao considerar o senhor uma pessoa inteligente. Julgo eu, na minha humildade, que o senhor já percebeu que todas estas convulsões que acontecem tem um único nome: a tensão político-militar. Independentemente de estarmos em bancarrota, com a paz qualquer moçambicano desdobra-se para produzir alguma coisa para o seu sustento.

O camponês de Mandimba, senhor Presidente, nunca se beneficiou dos dinheiros de nenhum doador para produzir comida. Mas sempre produziu. Já com a guerra não pode mais produzir. Será que custa tanto ao senhor Presidente sentar com Afonso Dhlakama e conversarem como irmãos para o bem deste país?

Toma coragem, senhor Presidente. Rompa com os dogmas do seu partido. Vai a Sathujira, lá nas matas da Gorongosa, e fala com o seu irmão Dhlkama. Ajoelha-se se for necessário, mas traga de volta a paz . Quando lhe peço para ir conversar com o Dhlakama onde quer que ele exija, é que está no seu direito querer que haja mediações. Há muito tempo que se quebrou a confiança e o senhor sabe disso.

Presidente: a paz não tem preço. Se é o seu ajoelhar que o Dhlakama precisa para o bem-estar de 24 milhões de moçambicanos, o senhor não pode fazer isso? Foi o senhor que disse que o povo era seu patrão. Agora, Presidente, o seu patrão lhe pede para que dialogue incondicionalmente com Dhlakama.

Senhor Presidente, quando Barack Obama assumiu a presidência americana enfrentou alguns problemas financeiros. E para resolvê-los não olhou a meios. Foi buscar Hilary Clinton e colocou-a como secretária do Estado, apesar de terem sido opositores para a nomeação Democrata.

O Zimbabwe, o país irmão de Robert Mugabe, quando estava em convulsões soube nomear Morgan Tsivangirai, seu opositor severo, a Primeiro-Ministro. O exemplo clássico é de Nelson Mandela. O seu partido, o ANC, ganhou as primeiras eleições multipartidárias. Mandela havia ficado 27 anos na prisão, mas depois de ser eleito Presidente da África do Sul soube nomear Frederik de Klerk como vice-presidente, mesmo sabendo que este vinha do partido que lhe encarcerou durante 27 anos. E mais: chamou também Mangosuthu Buthelezi, líder do Inkatha , para ministro do interior. Mandela não fez isso à a toa é porque queria o bem- estar do seu povo. E o senhor, Presidente Nyusi???

Presidente: todos esses embaixadores acreditados em Moçambique, diariamente mandam emails aos seus países relatando a situação actual do nosso país. Julga mesmo que alguém quererá investir num país onde há guerra, valas comuns com cadáveres humanos, assalto aos cofres do Estado?

Escreve a sua história, Presidente. Traga Dhlakama a Maputo. Percorre com ele o país de lés-a-lés. Mostra ao mundo de que Moçambique respira paz. Abraça-o. Dá-lhe a sua mão. É seu irmão, apesar da diferença de ideias. Fazendo isso, senhor Presidente, estará a escrever o seu nome nos Anais da História Mundial e este pobre país, este Moçambique, será cobiçado por qualquer investidor. Tudo está nas suas mãos, meu Presidente!!!!

Nini Satar

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13 Comentários

  1. Armando Jose disse:

    Boa iniciativa, ainda mais acrescentando dizer que se levar a ideia de Guebuza o país vai mergulhar passara do pior para o mais pior so ver que todos estes problemas que agora surgem foram do mandato de guebuza por favor este tem ideias de ambicao e destruitivas. Mas tambem acho que deviamos dimitir este governo mocambicanos nao podemos admitir isso.

  2. Em primeiro lugar inaltecer ao mesmo tempo gritar um viva para esta iniciativa que tens, de nostra ao nosso presidente o é certo.
    Gostaria de comugar a mesma opinião realsado que tudo isso nao tem outro nome a nao ser o problema da tenção politica militar não precisa ir a escola para preceber o motivo de tudo isso. o que esta a acontecer é que as pessoas que esta ao lado do presidente nao querem dar o braço atorcer para a oposição.
    Difacto nao custaria nada o nosso cheve de estado dar um cargo de uma estrema inportamcia ao chefe da renamo ou mesmo fazer uma distribuicação dos distritos colocando menbros da Renamo como a dimistradores.
    O senhor presidente tem que ter uma atitude de um pai de familia que em algum momento nao precisa de opiniao dos menbros da familia para tomar uma decisão em prole a sua casa.
    Senhor presidente todo Moçambique esta nas suas mãos quem tem o poder tem tudo o que quer, por tanto faça uso do seu poder meu pai.

  3. Luis Chissano disse:

    Ta muito deficel

  4. Morgan Adolfo disse:

    Sr. President espero k nao dexe a palavra do senho d lado.E quero-t lembrar mentir, pecado. O snhor presidente mentiu ao jurar k nos k somos povo eramos seu patrao. So expero k acate os conselhos d NINI-SATAR e traga-nos a paz k nos keremos.Pelmenos nos resolve um problema da tensao politico militar o mais rapido possivel. Traga o DJAKAMA conversem e o entend.

  5. Excelente iniciativa Nini, assim deste a melhor arma para paz, ha que todos do zumbo ao indico ate vizinhos juntos almejamos.

  6. espero que o presidente tenha lido essa carda e siga o exemplo do Zimbábue, Africa do Sul… Países fortemente consolidados

  7. Laura zibia disse:

    Falou e disse Nini Satar, é de homens como tu que Moçambique esta a precisar pra governar, que apesar de ter passado por muitas injustiças nunca deixou de zelar pelo bem estar do país….sou tua fã, estas de parabens

  8. chavier disse:

    Gosteii da carta Mocambique precisa de homens como tu Nini Satar, espero que consigamos ultrapassar esta divida.

  9. jessica disse:

    Boa iniciativa,mas cabe ao nosso presidente cumprir o que nos prometeu. Pois nós somos patrões.

  10. inocência disse:

    Convenhamos que o importante dessa carta ficou, pois não a ninguém capaz de ficar indiferente perante essa verdade. Tudo depende do nosso senhor presidente Felipe Jacinto Nyusi

  11. Neila Taimo disse:

    Boa iniciativa,é disso que Moçambique ???

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