POLÍTICA

Automobilistas dizem que as estradas do centro do país são “corredores da morte”

No troço Rio Save-Muxúnguè, no distrito de Chibabava, na Província de Sofala, os carros só passam quatro vezes por dia desde que as Forças de Defesa e Segurança montaram escoltas militares contra emboscadas na principal via do país, entretanto tornada em “estrada fantasma”.

A equipe da agência Lusa percorreu o troço de cem quilómetros entre Rio Save – Muxúnguè, tanto dentro da escolta militar como fora dela.

Um camião-tanque veloz da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), força especial da polícia, liga a sirene e acende pirilampos liderando o início da coluna em Muxúnguè.

Cinco minutos depois, as viaturas já vão lançadas a mais de cem quilómetros por hora e começam as ultrapassagens dos condutores que insistem em desfazer as posições iniciais indicadas pelos agentes policiais para os carros da coluna.

“Não vou atrás de nenhum carro suspeito. Sobretudo esses autocarros que andam a carregar militares”, disse um automobilista antes de partir de Muxúnguè citado pela Lusa.

Ao fim de quase meia hora de viagem, as viaturas estão largamente separadas umas das outras e ainda mais do “rebenta minas”, como são conhecidos os camiões-tanques que lideram a coluna para não ficarem demasiado perto do que será o principal alvo de um eventual ataque.
Os que tiverem avarias no troço ficam por sua conta, exceto se tiverem a sorte de pararem próximos de uma posição militar, que disponibiliza proteção.

“Tive avaria na coluna de manhã para Muxúnguè, mas agora vou sair porque o camião já foi reparado”, disse à Lusa um camionista carregado de toros de madeira.

Paradoxalmente, alguns automobilistas fazem questão de separar das escoltas porque se sentem mais protegidos sem elas e chegam a inventar avarias para se distanciarem das viaturas militares.

Outros vão em velocidade reduzida para não ficarem colados aos carros das escoltas, sobretudo os que transportam os polícias da UIR.

“Essas escoltas só são de nome. Desta vez, foi ideia unilateral do Khalau. Por isso vêm poucos militares para aqui”, confidencia um elemento do Exército quando se arrumava aquela escolta de Save-Muxúnguè, com mais de duas horas de atraso.

Fonte : Lusa

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