POLÍTICA

Dhlakama acusa Frelimo de estimular “terrorismo” no país

O líder do maior partido da oposição no país, Afonso Dhlakama, responsabilizou a Frelimo pelo baleamento do Secretário Geral da “Perdiz”, Manuel Bissopo, acusando a força política no poder de fomentar “terrorismo de estado”.

Para o presidente da Renamo, o baleamento de Manuel Bissopo, ocorrido na quarta-feira na cidade da Beira, pode levar a uma mudança no tom do discurso político e ao agravamento da atual crise política, mas afastou um cenário de Guerra.

“Posso acreditar que a situação pode deteriorar-se, mas não há guerra”, disse Dhlakama citado pela Lusa.

O crime de que Manuel Bissopo foi vítima, disse o líder da oposição, foi testemunhado por beirenses “e todos ficaram furiosos, quiseram partir casas dos membros da Frelimo”, obrigando, no seu relato, a que os dirigentes do partido dissessem “não é por aí”.

Afonso Dhlakama relembrou que ele próprio foi vítima de duas emboscadas na província de Manica em setembro passado.
“Claro que todos estão com nervos e dizem-me ‘presidente, tem de agir’, as pessoas querem pegar e cortar pescoços dos [quadros] da Frelimo”, referiu Dhlakama.

Renamo e Frelimo têm trocado nas últimas semanas acusações de raptos e assassínios dos seus quadros no centro do país, mas Dhlakama diz que qualquer imputação ao seu partido não passa de “mentira e propaganda”.
“Eu sou cristão, dirijo este partido e não temos isso de assassinar alguém, não odiamos ninguém da Frelimo, não temos um inimigo apontado que é o tal fulano, é o regime que odiamos”, salientou o presidente da Renamo.
Em contrapartida, atribui à Frelimo episódios de raptos e assassínios de elementos da Renamo, lembrando que o próprio Bissopo denunciara essas situações no dia em que foi baleado,
“A minha preocupação não é só porque balearam o secretário-geral da Renamo, já é uma onda em que oficialmente estão a raptar e a matar os moçambicanos e aqueles que estão a fazer política e a criticar a Frelimo são alvos neste país”, defendeu.
O líder da oposição assinalou que, durante a guerra civil de 16 anos, “podiam raptar população ou matar homens da Renamo, mas via-se que eram da Frelimo”, porém, agora, sustentou, estas ações são urdidas nos gabinetes do poder.

Segundo o líder da “perdiz”, o baleamento do número dois do seu partido acontece numa fase em que Dhlakama está “caladinho” e recolhido na Gorongosa e “o secretário-geral é como se fosse o presidente” que importava silenciar.
“Apelo ao regime da Frelimo para parar, é uma pouca vergonha”, insistiu Dhlakama, sustentando que estes episódios são “a mesma tática” usada em homicídios com contornos políticos, como o economista Siba Siba Macuácua, o jornalista Carlos Cardoso e o constitucionalista Gilles Cistac.

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