POLÍTICA

Armando Guebuza diz que não voltará á política activa

O ex-presidente da República Armando Emilio Guebuza garantiu que não voltará à política activa, elogiando o seu sucessor, Filipe Nyusi, atual presidente da República, e revelou que a decisão de abandonar a liderança da Frelimo já estava tomada antes do último Comité Central.

Na segunda parte de uma entrevista concedida à Lusa, Armando Guebuza respondeu categoricamente “não” quando questionado se admitia um regresso à política activa, depois de, em Janeiro, ter abandonado a Presidência da República e, dois meses mais tarde, a liderança da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), partido maioritário há 40 anos.

Guebuza e Nyusi

“Sou antigo Presidente e por conseguinte vou fazer o papel de antigo Presidente, estudando aquilo que posso fazer para dar o contributo no reforço do prestígio deste país”, declarou Armando Guebuza a Lusa.

Nas primeiras declarações públicas desde a última reunião do Comité Central, Armando Guebuza lamentou “equívocos” sobre a decisão de se afastar da presidência da Frelimo, e apontou artigos na comunicação social que especulavam sobre a sua permanência sem que tenha sido questionado.

Antes da reunião, o porta-voz do partido tinha adiantado que a sucessão da presidência da Frelimo não constava da ordem de trabalhos, mas, no final, Guebuza demitiu-se e deu lugar a Nyusi, terminando as especulações e também a alegada existência de dois centros de poder em Moçambique, atingindo a capacidade de liderança do novo chefe de Estado.

“Já tinha a decisão tomada” [antes da reunião], afirmou Armando Guebuza, não esclarecendo em que momento o fez: “Já tinha e isso é que é importante”, observou, acrescentando que a sua escolha “foi a correcta e vai garantir a coesão interna do partido”.

“Nunca tive dúvidas de que não podia continuar como presidente da Frelimo”, enfatizou o ex-líder partidário, considerando que o seu sucessor na força política e na Presidência da República está a ir “muito bem”.

“Foi aprovado o plano Quinquenal [do Governo], o Plano [Económico e Social] anual, o Orçamento [do Estado], o Presidente já fez três presidências abertas [até à data da entrevista], procurou resolver, com o sucesso possível dados os nossos recursos parcos, o problema das cheias, das calamidades que tivemos, e deu uma resposta à xenofobia [na África do Sul], que não fazia parte destes cem dias [iniciais de mandato] mas que apareceu, só para citar algumas coisas”, disse Armando Guebuza.

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